O jornal escolar faz parte de uma tradição pedagógica iniciada nas primeiras décadas do século XX. Antes de avançar, porém, é necessário alertar que a denominação
“jornal escolar” é utilizada para designar iniciativas com finalidades e caraterísticas muito diferentes.
O jornal da escola é aquele produzido pela direção, com o intuito de criar uma comunicação institucional
e dar informações consideradas pertinentes para a comunidade escolar. São vulneráveis ao uso
promocional (uma vontade de mostrar “tudo bonito”).
Os jornais estudantis são produzidos pelos estudantes, através das múltiplas possibilidades em que
isto pode acontecer (Clube do Jornal, Grêmios, produção independente). O jornal estudantil faz parte de
um outro campo de reflexão educativa, que é o protagonismo juvenil.
O jornal escolar é uma proposta que difere das anteriores; ele não tem como objetivo divulgar as
atividades da escola nem é uma iniciativa autônoma dos alunos. Tem como diretriz o projeto pedagógico
da escola; é uma ferramenta de sua proposta educativa. Quem supervisiona o conteúdo do jornal é a
coordenação pedagógica da escola.
Para que serve o jornal escolar?
Escrever no jornal escolar é uma experiência de vida para a criança. Suas opiniões e produções são
valorizadas pela circulação na escola, na família e na comunidade.
Os relatos dos professores e alunos
sobre o sentimento despertado pela participação no jornal falam por si mesmos:
“Quando eles pegam aquele jornal, eles ficam loucos para ler, para ver logo tudo que está ali,
procurando o que foi que eles escreveram” (professora)
“Acho muito legal, porque é onde a gente coloca as nossas coisas que a gente faz, a gente coloca
o que a gente gosta também, coloca o que a gente sente” (aluna).
A emoção e o orgulho tomam conta das crianças. Dois sentimentos poderosos e fortalecedores da
personalidade. Escrever passa a ter significado pessoal e social.
“Quando eu comecei a fazer o jornalzinho, tia, eu comecei a melhorar para poder sair legal, para
não ficar erros quando a pessoa for ler não entender. Eu estou lendo mais e agora estou melhorando
muito na escrita e na leitura” (aluna).
A vontade de fazer bonito se estende para além dos limites da escrita.
“Tem que ilustrar o jornal que é igual aqueles livros de história infantil clássicos, tem que ter
ilustração” (aluna).
A contribuição do jornal escolar se situa também na formação para a cidadania, pois proporciona uma
percepção quase automática de participação no espaço público. Um aluno expressa desta maneira esse fato:
“Eu faço, passo para o jornal, mostro para os outros e os outros entendem né, assim vai ajudar às
pessoas.”
Um colega complementa: “Eu acho que as pessoas quando lêem o jornal vão se
conscientizar e vão evitar queimadas e cuidar mais e melhor das árvores e das plantas.”
Escrever no jornal é para a criança uma experiência da constituição da
consciência de si, na sua relação com o social. Eu faço chegar minha mensagem
“às pessoas”. A criança que escreve no jornal realiza um ato de
cidadania; uma escola habilidosa saberá aproveitar o momento para
trabalhar o surgimento de um imaginário positivo sobre a participação
social.
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